A obra moderniza o bairro do Reduto, fortalece a mobilidade urbana e oferece novas oportunidades de convivência, esporte e lazer à população paraense.
O governador do Pará, Helder Barbalho, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, inauguraram, no dia 02 de outubro, em Belém, o Parque Linear da Nova Doca — a primeira obra considerada legado da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). A entrega ocorreu a seis semanas do evento internacional que terá a capital paraense como sede.
O projeto requalificou a Avenida Visconde de Souza Franco, no bairro do Reduto, transformando a área central da cidade em um novo polo de convivência, esporte e lazer, aberto ao público desde a noite da inauguração.
“Mais do que uma obra, o Parque Linear é um marco de transformação para Belém. A Nova Doca deixa de ser apenas uma avenida e se torna um símbolo da cidade que estamos preparando para a COP30 — moderna, sustentável e conectada com sua história e seu povo”, afirmou o governador Helder Barbalho durante a cerimônia.
Modernização e sustentabilidade
Com quase 24 mil metros quadrados de área totalmente requalificada ao longo de 1,2 km de canal, a Nova Doca passou a oferecer ciclovia, iluminação em LED, novas passarelas, paisagismo, quiosques com banheiros, redário, brinquedos acessíveis e áreas esportivas. O espaço também conta com painéis solares e tomadas para carregamento de celulares.
Segundo Helder, a entrega representa uma mudança de paradigma.
“Este espaço mostra que o legado da COP30 já começou. Uma cidade que dialoga com o mundo precisa valorizar sua população, com investimentos em qualidade de vida e convivência”, destacou o governador.
Reconciliação com a história e os rios
O novo parque se integra ao Porto Futuro, formando um contínuo de áreas de lazer e contemplação na frente ribeirinha de Belém. A obra foi executada pela Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), em parceria com o Governo Federal e a Itaipu Binacional.
“Belém não pode estar de costas para sua história nem para seus rios. A Nova Doca é a reconciliação da cidade com sua paisagem — um símbolo de futuro bonito, inclusivo e sustentável”, ressaltou Helder Barbalho.
Para o secretário estadual de Obras Públicas, Ruy Cabral, o projeto foi além da infraestrutura:
“O Governo do Pará entregou à população de Belém uma obra que promove convivência e valoriza os aspectos ambientais e sociais da região.”
De igarapé lendário a parque urbano
Antes de se tornar avenida, a Doca era um braço da Baía do Guajará, conhecido como Igarapé das Almas — ou Igarapé das Armas, em referência ao período da Cabanagem (1835), quando teria sido usado como esconderijo de armamentos.
Em 1851, com a inauguração da chamada “Doca do Imperador”, o local tornou-se um importante centro de escoamento de mercadorias durante o ciclo da borracha. Após o declínio econômico, a região entrou em decadência e só voltou a receber grandes intervenções urbanas a partir da década de 1960, quando o igarapé foi canalizado.
Desde então, poucas ações priorizaram o uso público.
“Por ser uma infraestrutura ligada ao saneamento, o espaço recebeu pouca atenção, o que gerou grande expectativa da população por sua requalificação”, explicou Rebeca Ribeiro, diretora do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secult.
Achados arqueológicos
Durante as escavações, o tempo revelou um tesouro: uma embarcação metálica, possivelmente do ciclo da borracha, foi encontrada soterrada no canal, junto a fragmentos de louças e garrafas dos séculos XVIII e XIX. O barco está em processo de restauração e será futuramente exposto ao público.






